sexta-feira, 5 de junho de 2009

ALÉM DE UM ROSTO


2001 - Uma Odisséia no Espaço, Stanley Kubrick, 1968.

Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência.
Tiago 1:22-24
Foi na escola bíblica dominical que me deparei com essas palavras. Essa carga poética de uma metáfora que não se completa com a outra face da moeda (não se alude com o mesmo tom como seria o praticante da palavra), mas que nos permite deduzir como ela seria. O homem que não pratica a palavra, a ele está guardado o esquecimento da aparência; ao que pratica, resta a memória eterna, ou mais, a própria ultrapassagem da aparência: o alcance da essência. Como o astronauta de 2001. Homem que ao se perder no universo, encontra a concretude do universal.

Reler a obra de Arthur C. Clark confirma em mim a certeza de que Kubrick foi muito mais longe em sua arte, possibilitando uma abertura de interpretações como nunca mais seria feito no cinema. Não compactuar com o escritor, ocultando a origem da misteriosa pedra (no livro ela é enviada por alienígenas) fende o conteúdo cinematográfico como a outra dimensão, onde a certeza e o especulativo, não passam de tímidas suposições.

Contemplar-se além do rosto natural. Desejo humano amparado pela arte, pela fé, por praticamente tudo que o homem institui para prosseguir como espécie. Desejo incentivado antes de tudo, pelo próprio Deus.

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